segunda-feira

entre a lista dos 100 melhores cds da música brasileira, selecionei esses dois! achei show rs




Os Mutantes
Os Mutantes (1968 " Polydor)
A influência dos mutantes hoje é enorme, aqui e lá fora, tendo artistas como David Byrne e Björk entre seus fãs. Os Mutantes, o primeiro álbum da banda, já havia conquistado o 12° lugar em uma lista dos "50 Discos Mais Experimentais de Todos os Tempos" - duas posições acima de Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band, dos Beatles, e bem à frente de The Piper at the Gates of Dawn, do Pink Floyd. Mais do que os álbuns dos outros artistas do movimento, Os Mutantes segue os preceitos do Tropicalismo à risca, como um segundo volume do manifesto sonoro Tropicália ou Panis et Circensis. "Baby" ganha aqui uma leitura oposta à bossa nova, imbuída em distorções de guitarra e teclados. O maestro Rogério Duprat ajudou o trio nos arranjos e nada faltou: desde a gravação do som ambiente (perfeito na abertura do sambão torto de "Adeus Maria Fulô") até a manipulação de fitas magnéticas (uma herança da música concreta) em um copia-cola manual. "Panis et Circensis", que abre o disco, vem com tudo isso. É um perfeito exercício de criatividade musical. (Por José Julio do Espirito Santo)



Secos e Molhados
Secos e Molhados (1973 “ Continental)
Odair José conta com orgulho seu embate com um general, em 1973, na tentativa de safar sua "Pare de Tomar a Pílula" da censura. "O senhor permite o Ney Matogrosso e os Secos & Molhados fazerem uma proposta de gay num show no Maracanãzinho e não permite que eu faça uma proposta de homem?! O senhor é gay? O Exército é gay?", teria indagado, segundo relatou no livro "Eu Não Sou Cachorro, Não" (2002), de Paulo Cesar de Araújo. Era uma disputa entre semelhantes. No Brasil de 73, quase ninguém fez mais sucesso que Odair e os S&M. Em comum, ambos afrontavam os costumes de uma ditadura brava, amofinando-a no campo do comportamento, da política do corpo. Odair testava letras simples que debatiam sexo, amor livre e a estrutura de classes sociais no país. Os S&M de Ney, João Ricardo, Gerson Conrad e Marcelo Frias sugavam a poesia de Manuel Bandeira e Vinicius de Moraes, mas falavam pelo corpo, por visual andrógino e (homo) sexualidade explícita - era o glam rock à brasileira. Rotulado de "cafona", Odair era rejeitado por nove em cada dez estrelas da MPB, uma confraria que já iniciava a trágica rota rumo a um elitismo atroz. Os S&M fundavam o "roque" dos anos 70, com toques hipnóticos de rock progressivo, mas incorporando a sigla MPB mais que a negando. Talvez Odair se sentisse enciumado do colossal poder transgressor (e comunicativo) do denso LP de estréia dos S&M, com "Sangue Latino", "O Vira" e "Assim Assado". Talvez o efêmero grupo prog-MPB também se ressentisse do imenso fogo comunicativo (e transgressor) do "cantor das empregadas" em "Deixe Essa Vergonha de Lado". Voltando-se uns contra os outros, se neutralizavam e ajudavam o opressor. Mas a massa aprovava igualmente as transgressões dos "cafonas" e dos "andróginos", no apogeu do terror & tortura. A marca S&M era em si uma revolução, confirmada 30 anos depois pelos milhões que marcham em paradas pacíficas de diversidade sexual. Quanto à rivalidade entre iguais de 1973, não se sabe que curso tomou. Fato é que, em 77, Odair gravou um controverso disco gay. Em 76, Ney lançara a romântica "Cante uma Canção de Amor", co-escrita por Odair José. (Por Pedro Alexandre Sanches)





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